Franschhoek foi povoada em 1688 por aproximadamente 180 refugiados huguenotes franceses, e o vale que lhes foi concedido não tinha vinhas quando chegaram. Eles trouxeram estacas, memórias e nomes de fazendas — La Motte, Dieu Donné, Cabrière, La Provence — e em duas gerações o vale do rio Berg tornou-se um distrito vinícola. A Companhia Holandesa das Índias Orientais pretendia que os colonos se dispersassem e se assimilassem. As montanhas fizeram o oposto: eles os retiveram.
Os três distritos que um passeio pelas vinícolas de Paarl, Franschhoek e Stellenbosch saindo da Cidade do Cabo conecta nunca foram uma única propriedade, mas um único acidente geológico. Stellenbosch, fundada em 1679 por Simon van der Stel, situa-se sobre granito decomposto no sopé de Simonsberg e Helderberg. Paarl leva o nome da cúpula de granito acima dela — parel, pérola — que o explorador holandês Abraham Gabbema registrou brilhando após a chuva em 1657. Franschhoek é o mais alto e estreito, um vale fechado com uma única estrada de acesso. Cada distrito possui um solo e um aspecto diferente, razão pela qual o mesmo clone de Cabernet Sauvignon produz três vinhos distintos ao longo de vinte e cinco quilômetros.
A arquitetura registra a sequência. As empenas holandesas do Cabo — as curvas ogivais, o caiado, a palha — atingiram sua forma madura aqui entre 1750 e 1800, e Boschendal, Vergelegen e Rhone ainda ostentam empenas datadas acima de suas portas. Paarl abriga o Taal Monument, concluído em 1975, uma estrutura de concreto que comemora o africâner como língua escrita. O Museu Memorial Huguenote em Franschhoek preserva as listas de passageiros de 1688.
O que importa agora é tanto regulatório quanto histórico. O esquema Wine of Origin da África do Sul, introduzido em 1973, tornou Stellenbosch, Paarl e Franschhoek distritos demarcados separadamente, e as encostas em terraços de Franschhoek são plantadas em grande parte com Semillon, Chardonnay e vinho base Cap Classique, enquanto Stellenbosch permanece dominante em tintos e Paarl mantém os blocos mais antigos de Chenin Blanc e Shiraz do país. As portas das adegas nos três locais ficam a uma hora da cidade, o que é a razão prática pela qual a região é lida como um único circuito.
O centro de visitantes de Franschhoek fica na 66B Huguenot Road, e a entrada para o próprio vale não custa nada — 0 ZAR — embora as propriedades individuais definam suas próprias taxas de degustação. Um passeio bem planejado pelas vinícolas de Paarl, Franschhoek e Stellenbosch saindo da Cidade do Cabo trata os três vales como um argumento contínuo sobre granito, altitude e 338 anos de enxertia.